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Blog do Rádio Ciência
 

 

SBPC PRORROGA INSCRIÇÕES PARA REUNIÃO ANUAL

 

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) prorrogou para o dia 03 de abril o prazo para a inscrição de trabalhos científicos na 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Ela acontece na Universidade Federal de Santa Catarina, com  tema "SEMEANDO A INTERDISCIPLINARIDADE", de 16 a 21 de julho.

Maiores informações sobre a Reunião Anual da SBPC na internet, no link "outros sites" ao lado, onde colocamos o saite da SBPC ou digitando  www.sbpcnet.org.br.




Escrito por Equipe Rádio Ciência às 19h40
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Série Maranhão Velho - 40 anos de poder

Entrevista: Wagner Cabral

“EXISTE UMA OLIGARQUISA SARNEY. MAS PARA COMBATÊ-LA É PRECISO IR ALÉM DO SENSO COMUM”

Por Franklin Douglas – editor do Rádio Ciência

 

Pernambucano de nascimento, mas maranhense por estudo e reflexão. Assim poderíamos iniciar esta entrevista com Wagner Cabral, 35 anos. Graduado pela UFMA, com mestrado pela Unicamp e doutorando (pela UFPE) nos três níveis de conhecimento em História, Cabral é cada vez mais um especialista na política contemporânea maranhense. Nesta entrevista à série “Maranhão Velho - 40 anos de poder” do blogue do Rádio Ciência, o professor do curso de História da UFMA solta o verbo, afinal, na universidade, ele passou pela época de que jacaré parado virava bolsa!

 

Quanto mais correta a identificação do problema, melhor conseguimos encontrar os caminhos das respostas. Para o senhor, no Maranhão, temos uma "oligarquia Sarney", uma “família Sarney", um "Esquema Sarney"? O que é mais preciso para caracterizamos os Sarneys?

 

Professor Wagner Cabral - Existe uma oligarquia Sarney, mas para podermos caracterizá-la e melhor combatê-la é preciso ir além do senso comum e da origem etimológica da palavra, que, em sua matriz grega, com Aristóteles especialmente, significava um governo impuro e viciado exercido por poucos (ricos).

 

Trata-se de pensar o conceito de oligarquia em termos teóricos e históricos. Penso na existência de uma estrutura oligárquica de poder assentada na utilização patrimonialista do Estado, ou, em outros termos, baseada no uso extensivo da máquina pública com vistas à ascensão, reprodução e perpetuação de grupos no poder regional. Patrimonialismo, em sua acepção weberiana, enquanto indistinção entre as esferas pública e privada, a partir do que grupos privados se apropriam do Estado para atender seus interesses particulares. Uma estrutura patrimonialista e oligárquica que é tecida por relações de poder, práticas políticas, visões de mundo, conformando uma cultura política específica.

 

Em termos mais concretos, pode-se traduzir este conceito em algumas características, que variaram de peso historicamente: (1) a divisão clientelista de cargos e verbas públicas entre aliados; o controle e a manipulação do processo eleitoral: fraudes, abuso do poder econômico, controle de juízes e do TRE; (2) o controle, em graus variáveis, dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; (3) a corrupção administrativa e o enriquecimento pessoal e familiar; (4) o controle dos principais partidos políticos; (5) o clientelismo assistencialista voltado para a população; (6) a cooptação política de dissidentes, oposições e movimentos sociais; (7) a violência a serviço do poder, seja através do braço armado do Estado (polícia), seja através de capangas; (8) a política do “espetáculo”: domínio dos meios de comunicação de massa (bastante acentuada nas últimas décadas); (9) o controle dos municípios; (10) as alianças com o governo federal, cruciais numa região dependente e periférica como o Maranhão; (11) a mediação entre os interesses econômicos e o Estado, acompanhando as diferentes etapas do processo de expansão do capitalismo e de integração econômica da região.



Escrito por Equipe Rádio Ciência às 19h25
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Segundo me parece, é exatamente a ausência de uma reflexão mais aprofundada sobre o conceito e a utilização da palavra oligarquia apenas em seu senso comum que obscurece dimensões fundamentais do problema, restringindo-o ao domínio de uma família ou de um “esquema”, quando se trata de uma estrutura de poder e de uma cultura política fortemente enraizadas e que sobreviveram a todas as mudanças experimentadas pelo Brasil ao longo do século XX. Por isso, muitos falam, equivocadamente a meu ver, que “a oligarquia Sarney acabou” (porque não está atualmente no controle do Executivo estadual) ou mesmo que “tudo é oligarquia” (referindo-se a grupos que dominam determinados municípios). Exprimindo ou tudo ou nada, o senso comum da palavra oligarquia de pouco serve. Digo isso porque, sempre transformando-se, essa estrutura passou das mãos dos bacharéis do Império para os bacharéis da República (Benedito Leite e Urbano Santos), destes para Victorino Freire e depois José Sarney. Não se trata apenas de pessoas, nomes, famílias, “esquemas”, “máfias”, mas sim de um combate a uma estrutura enraizada no aparelho de Estado e na mentalidade coletiva, com várias frentes de luta, inclusive, claro, o enfrentamento dos chefes de plantão.

 

Na sua opinião, quais foram as principais estratégias de ascensão e consolidação deste domínio dos Sarney?

 

As estratégias, como disse, estão organizadas a partir da utilização patrimonialista do Estado em suas diversas dimensões. Contudo, gostaria de destacar a “estratégia periférica” que marcou a ascensão de Sarney e de outros chefes oligárquicos antes dele. Esta consiste em se estabelecer na condição de mediador entre a política federal e o plano estadual, a partir do pressuposto de que, em um estado pobre e dependente da federação, a relação com o centro político nacional é fundamental para a obtenção de recursos políticos e financeiros que serão utilizados de forma clientelista pelo grupo oligárquico dominante. Dessa forma, Sarney repetiu a condição de preposto do poder central vivenciada no pós-1945 por Victorino Freire (com o eixo: apoio do Presidente Dutra, pertencimento à “copa e cozinha” do Palácio do Catete e filiação ao PSD).

 

Como foi destacado em artigo do professor Caldeira, José Sarney foi o representante civil da ditadura militar no Maranhão, sendo alçado à condição de governador pelas mãos do general-presidente Castelo Branco, para se constituir na base de sustentação do regime ditatorial através do partido do “sim, senhor”, a ARENA. São bem conhecidos os “saltos de canguru” que ele deu depois, com o abandono do barco da ditadura quando este naufragava, passando a compor a chapa da Aliança Democrática ao lado de Tancredo Neves (com o que chegou à presidência), e o apoio a todos os presidentes que se lhe seguiram até Luís Inácio Lula da Silva (com o que obteve a nomeação de quase todos os cargos federais no Maranhão, com poucas exceções).



Escrito por Equipe Rádio Ciência às 19h24
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E neste embate atual, estamos diante de um novo tempo das "oposições coligadas"? Que diferenças e semelhanças o senhor identifica fazendo um paralelo com estes dois momentos históricos?

 

Em termos históricos, não existe reedição das Oposições Coligadas, que era uma frente político-partidária bastante heterogênea, composta por grupos dissidentes da oligarquia, setores médios e com amplo apoio popular em sindicatos e associações, especialmente em São Luís. Esta oposição oligárquica passou mais de 15 anos combatendo a hegemonia de Victorino Freire, tendo como marco em sua luta a Greve de 1951, com grandes mobilizações de massa contra a fraude eleitoral que permitiu a “eleição” de Eugênio Barros para o governo. No entanto, as Oposições Coligadas só conseguiram chegar ao poder através de José Sarney em 1965 porque contaram com a divisão interna do vitorinismo e com a intervenção direta da ditadura militar a seu favor, num processo que levou à reestruturação da estrutura oligárquica patrimonialista, com a ascensão de um novo cacique. A então chamada “Frente de Libertação do Maranhão” revelou-se, portanto, uma imensa farsa histórica, ao prometer o fim das oligarquias e justiça social, e realizar, ao contrário, a afirmação de uma nova oligarquia e aprofundar a desigualdade.

 

A frente anti-sarneísta que se desenha para as eleições de 2006 é meramente conjuntural, fruto do surgimento de uma dissidência oligárquica capitaneada pelo governador José Reinaldo que buscou o apoio de setores oposicionistas já existentes, tanto à direita (PSDB), quanto à centro-esquerda (PSB, PDT, PT, PC do B, PCB). Esta nova “Frente de Libertação” não tem uma trajetória comum, não aponta em seu discurso até o momento para qualquer ruptura com os fundamentos da estrutura de poder existente, nem tampouco demonstrou capacidade de mobilização social contra o domínio oligárquico, sendo eleitoral e circunstancial.

 

Por outro lado, como demonstram a estratégia errática adotada pelo governador José Reinaldo e a recente tentativa de lançamento de uma segunda candidatura (ainda a ser confirmada) apoiada pelo governo estadual (PSB/PT), não há qualquer convicção por parte do governador e seu grupo acerca da necessidade de formação dessa frente. Muito pelo contrário, somente quando e se forem inviabilizadas outras alternativas essa dissidência virá a efetivamente prestar apoio à candidatura de Jackson Lago (PDT), como uma espécie de último recurso.

 

Denominar o grupo em torno do ex-prefeito Jackson Lago como uma nova oligarquia é, então, um equívoco do uso no senso comum do termo. É isso?

 

A afirmação de que a hegemonia do PDT em São Luís nos últimos anos levou à formação de uma nova oligarquia deriva da utilização da palavra em seu senso comum, não estando necessariamente equivocada nestes termos. Mas, se pensarmos a partir do conceito antes esboçado, fica claro que faltam ao grupo de Jackson Lago uma série de requisitos para ser chamado de oligarquia. Com isso não quero dizer que o grupo não se utilize do aparelho da Prefeitura municipal a seu favor, pois o mesmo avançou muito pouco no combate ao patrimonialismo (as denúncias, fundadas ou infundadas, contra o grupo constituem um bom indicador). Quero apenas dizer que, se formos considerar que todo grupo que controla um município constitui uma oligarquia, possivelmente haveria mais de 100 ou mesmo 200 micro-oligarquias no Maranhão, e estaríamos esquecendo as fundamentais conexões de mediação e controle da máquina pública a nível estadual e federal.



Escrito por Equipe Rádio Ciência às 19h23
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Como o senhor analisa a via Edison Vidigal e/ou Flávio Dino, defendida pelo governador José Reinaldo, sob a tese de que duas candidaturas é melhor que uma para derrotar a senadora Roseana?

 

A tese das duas candidaturas reafirma que a estratégia adotada pelo governador após seu rompimento com o grupo Sarney é errática e conjuntural, alguém poderia mesmo falar em ausência de estratégia, a qual foi se modificando ao sabor dos acontecimentos.

 

O epicentro da ruptura do governador com seu berço sarneísta foi a disputa em torno do controle da administração estadual, se este repousaria no eixo José Reinaldo/Alexandra, ou se no eixo Roseana/irmãos Murad. Uma vez iniciada a crise e desde então a atuação do governador foi no sentido de ampliar seu espaço de coordenação política de modo a evitar futuras represálias quando terminasse seu mandato ou mesmo um eventual processo de “impeachment”. Para tanto, usou as armas de que dispunha, quais sejam, a utilização da máquina estadual e o controle dos cofres públicos – reforçando o padrão patrimonialista próprio de uma oposição oligárquica.

 

De maneira esquemática, podemos dividir em algumas fases sua atuação:

 

a) as tentativas de reconciliação com o grupo Sarney, postulando que a candidatura do grupo a sua sucessão fosse dada ao deputado Sarney Filho ou a alguma outra pessoa do grupo, como o senador Lobão. No entanto, as negativas de Roseana inviabilizaram esta solução de compromisso;

 

b) quando se configurou a ruptura, ele buscou se apoiar no PSDB de João Castelo e Roberto Rocha, abrindo espaços em seu governo. Buscou ainda se assegurar contra retaliações provenientes da Assembléia Legislativa, garantindo uma maioria parlamentar, bancada pelo clientelismo, que elegeu João Evangelista como presidente da Assembléia Legislativa. O mesmo foi feito em relação aos meios de comunicação, garantindo o apoio de diversos veículos (jornal, rádio e TV), para minimizar os efeitos da campanha de oposição do Sistema Mirante;

 

c) ao mesmo tempo, procurou reeditar sem sucesso a “estratégia periférica”, procurando se aproximar do governo Lula e romper o domínio dos cargos federais pelo senador Sarney. Para tanto, se filiou ao PTB, buscou negociar diretamente com o governo federal e ofereceu cargos ao PT maranhense em seu governo (o que não foi aceito pelo partido, mas não impediu que o advogado petista Sálvio Dino Júnior fosse nomeado). Entretanto, a “crise do mensalão” solapou as condições de negociação via PTB, pois este partido estava no centro da crise com Roberto Jefferson. Ademais, o governo Lula preferiu não trocar de aliado preferencial no estado e na política nacional (Sarney/PMDB), perseverando em sua “aliança estratégica” com o oligarca maranhense;

 

d) com mais uma alternativa inviabilizada, então o governador reforça o discurso da “Frente de Libertação do Maranhão” (que estava sendo irradiado desde o início da crise), procurando atrair o conjunto da oposição para o seu lado, desta vez com acenos mais concretos. Começa uma nova fase de especulações em torno da formação da chapa majoritária, se Castelo, se João Evangelista, se Jackson Lago, se Tadeu Palácio. Uma indefinição que se prolonga até a confirmação do nome do pedetista Jackson como candidato da Frente e a abertura de espaços para esse partido no governo estadual;

 

e) mas, confirmando a estratégia errática, ou melhor, o fato de que o governador prefere um nome mais “confiável” e próximo de si, a indefinição retorna, agora na forma da tese das duas candidaturas, com a formação da coligação PSB/PT, mais uma tentativa de obter apoio federal. Lembramos que, nesse ínterim, o governador se transferiu para o PSB, tornando-se “socialista” de carteirinha. Com isso, a “Frente de Libertação” ficou mais uma vez ameaçada de implosão.



Escrito por Equipe Rádio Ciência às 19h23
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Traduzindo: o governador José Reinaldo Tavares NÃO PODE, NÃO SABE e NÃO QUER romper com a estrutura oligárquica de poder existente no Maranhão, apenas visa reestruturá-la a seu favor. Criado como um quadro técnico da oligarquia desde os anos 1960 e ambientado na cultura política patrimonialista, seu horizonte de expectativas é, por isso mesmo, limitado. Poderia citar também outras questões que ilustram este ponto de vista, como o debate em torno do desenvolvimento econômico e social, a posição adotada diante do projeto da usina siderúrgica proposta pela multinacional CVRD, mas fiquemos só na política.

 

Duas observações adicionais são necessárias. A primeira refere-se à posição do PDT no processo de formação da Frente, demonstrando uma calculada paciência diante dessas idas e vindas do Palácio dos Leões. Considero que, depois da derrota de Jackson Lago, em 2002, para o próprio José Reinaldo (contrariando inúmeras pesquisas), a cúpula do PDT se deu conta das limitações do partido quanto às suas possibilidades de vitória nas urnas. Limitações financeiras, mas também e, especialmente, de enraizamento no interior do Maranhão. Pois, em 2002, o partido ganhou na maioria dos principais colégios eleitorais, mas perdeu nos pequenos e médios municípios (que formam quase 70% do eleitorado). Apesar de ser o terceiro maior partido estadual, o PDT está excessivamente centralizado em São Luís, tendo pouca capilaridade e presença no interior (elegeu apenas 10 prefeitos em 2004, por exemplo).

 

Dessa forma, o PDT timbira encontra-se diante de um dilema similar ao experimentado pelo PT/Lula nas eleições presidenciais de 2002: para romper a barreira dos 30 ou 40% de votos e ganhar as eleições é preciso ampliar o leque de alianças, incorporando setores conservadores (como o PSDB) e esperando contar com o peso da máquina do governo estadual. Por isso, o partido aceitou, talvez a contragosto, a condição de “grande eleitor” auto-atribuída por José Reinaldo, ficando a marcar passo diante do evidente conflito e descompasso entre sua própria estratégia partidária e a oscilante estratégia adotada pelo grupo reinaldista.

 



Escrito por Equipe Rádio Ciência às 19h23
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A segunda observação relaciona-se aos nomes indicados como possíveis candidatos da coligação PSB/PT. Estes partidos surgiram no estado fortemente ligados ao processo de mobilização social que conduziu ao fim da ditadura no país (fins dos anos 1970 e década de 1980), contudo foram afetados de forma diferenciada pela chamada “crise dos movimentos sociais”, pela cooptação política da oligarquia e pela institucionalização (voltando-se prioritariamente para o processo eleitoral). O PSB perdeu quadros importantes nesse período, bem como se distanciou de suas bases rurais ligadas à Igreja Católica. Ficou mesmo, durante algum tempo, sob o controle de Ricardo Murad e sua laranjada. Já o PT foi desde sempre marcado por uma grande fragmentação interna (com a autofágica disputa entre correntes e personalidades), que inviabilizou o surgimento de um projeto partidário minimamente unificado. Um quadro que se agravou com sucessivas derrotas eleitorais (sendo a mais recente em Imperatriz) e com as contradições advindas da “aliança estratégica” Lula/Sarney, até hoje muito mal digeridas.

 

Nessa ótica, é sintomático que setores desses partidos recorram a bacharéis salvadores para tentar viabilizar um projeto político esvaziado por sua diminuta vinculação com as lutas sociais no estado. Diante da perda de seus referenciais de origem, voltam-se para o passado remoto, para o padrão de carreira das elites imperiais, quando o bacharelato em Direito e o exercício de funções no Judiciário eram condição suficiente para qualificar atores políticos (mesmo que possam reivindicar uma biografia militante). E reeditam, à sua maneira, a “estratégia periférica”, ao considerar que as relações tecidas pelos postulantes no plano federal (e não somente no judiciário federal) são qualificativos por si. É a mesma e velha lógica que privilegia o Estado e não a Sociedade. A possível “novidade” da candidatura (de qualquer candidatura) reside no nome, não nas relações políticas, nem na mentalidade estatal e elitista.

 

Como o senhor caracteriza as forças políticas no Maranhão? A partir desta leitura o que é possível: mudança, transformação ou "mudar pra continuar tudo como está"?

 

Acho que a caracterização das principais forças foi esboçada nas respostas anteriores. Nos cenários possíveis para as eleições de 2006, poderíamos esboçar o seguinte:

 

(a) Uma vitória de Roseana Sarney (PFL) conduziria ao reforço da oligarquia dominante, a qual daria continuidade ao processo de reconstrução de sua legitimidade política e social iniciada na década de 1990. Não é por acaso que a candidata aparece liderando as pesquisas, pois conta com o capital político do investimento em sua imagem durante dois mandatos e também está, por enquanto, sozinha no páreo, diante das indefinições das oposições;

 

(b) Uma vitória da Frente de Libertação do Maranhão, unificada em torno de Jackson Lago, daria continuidade à crise intra-oligárquica no Maranhão, com o surgimento de uma bipolaridade política, entre a oligarquia decaída e os novos detentores do poder executivo (de predomínio conservador), que tratariam de reestruturar (e não romper) as bases do poder oligárquico.

 

Devido à presença de setores de centro-esquerda, um governo da Frente seria marcado por contradições positivas diante do quadro atual de monolitismo vigente no Maranhão. Essa bipolaridade, com o aumento da competição intra-oligárquica, abriria perspectivas para um maior controle da estrutura patrimonialista do Estado por parte da sociedade, e, quiçá, de alguma efetiva democratização do Maranhão. Mas não sejamos tão otimistas assim...

 



Escrito por Equipe Rádio Ciência às 19h21
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As oposições vencerão o grupo Sarney?

 

Não tenho a menor idéia, mas sinto que as oposições, devido aos conflitos de estratégia dos seus diferentes grupos, perderam um tempo precioso com muitas indefinições, deixando o campo livre para Roseana Sarney (PFL) estar em campanha há mais de um ano (inclusive com verbas federais, vide “Caixinha de Surpresas” da vida). É necessário não perder o timing da política, pois a(s) candidatura(s) oposicionista(s) precisa(m) demonstrar sua viabilidade e competitividade eleitoral até meados do ano, caso contrário, tenderá(ão) a se esvaziar diante do pragmatismo dos atores políticos reunidos pela frágil e tênue rede reinaldista. Com isso, quero dizer que um grande número de deputados, prefeitos, vereadores e cabos eleitorais, ligados às oposições, diante de uma disputa majoritária já definida em agosto/setembro tenderão a abandonar o candidato a governador em nome de seus projetos pessoais. A “cristianização” do(s) candidato(s) e um “salve-se quem puder” estão entre as coisas que as oposições precisam evitar nos próximos meses.

 

Recentemente pesquisas do grupo em torno do governador José Reinaldo identificariam que a população não quer saber do discurso sobre a Oligarquia. E, no entanto, o próprio Sarney enfrentou diretamente este debate, em artigo publicado no Estado do Maranhão (em 25/02/2006). Como o senhor analisa este fato?

 

Sarney não pode se furtar ao fato de que existe uma opinião pública incipiente no Maranhão e sabe que esse debate tem importância para determinados setores do eleitorado estadual (que deve se aproximar dos 4 milhões de eleitores em 2006). Por isso, a estratégia eleitoral proposta pelo PDT para a Frente faz sentido, qual seja, transformar as eleições em um plebiscito em que a população seria chamada a se posicionar Pró ou Contra Sarney. Contudo, é preciso ter ciência que o discurso de uma eleição plebiscitária atinge apenas uma parte do eleitorado, de perfil mais escolarizado e mais urbano (especialmente os maiores colégios). E, por outro lado, reduzir o âmbito do debate eleitoral a este tema num estado como o Maranhão (com seu quadro social miserável e um “modelo” econômico exportador, concentrador de riqueza e excludente) parece, no mínimo, um desserviço.

 

Um comentário adicional. Partindo-se do pressuposto da existência de uma estrutura e de uma cultura política patrimonialistas é preciso ter cuidado para escapar à tentação simplista de “vitimizar” a população, pois os grupos oligárquicos têm suas bases em parcelas expressivas da sociedade, que compartilham convicções e “valores”, bem como reproduzem em micro-escala essas relações. O exemplo paulista de um Paulo Maluf (o “rouba mas faz”), com suas consideráveis votações no maior colégio eleitoral do país, deve servir de alerta para os analistas.

 

Professor, estamos nestes 40 anos de poder do Sarney diante de um Maranhão velho ou neo-Maranhão Novo (com Roseana Sarney)?

 

Estamos diante de um Maranhão que passou por um dramático processo de modernização conservadora, com a expansão predatória do capitalismo para a região, concentrando a renda, expulsando trabalhadores do campo, acentuando e multiplicando os conflitos sociais, (re)criando a miséria, a fome e o analfabetismo. Um Maranhão em que a produção do “novo”, do “moderno”, repõe e atualiza o “velho”, o “arcaico”. Em que a modernização econômica conservadora significou a reestruturação da estrutura oligárquica de poder, com o que o grupo Sarney construiu sua fortuna particular ao custo da ampliação da miséria da população nos últimos 40 anos.



Escrito por Equipe Rádio Ciência às 19h18
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INSTITUTO DISPONIBILIZA B0LSAS DE PESQUISAS PARA ESTUDOS SOBRE A REGIÃO AMAZÔNICA

 

Em escala global, os ecossistemas estão sendo degradados como resultado de projetos de desenvolvimento econômico que não preservam essas dimensões naturais.

Para pesquisar esse problema, um dos programas da Instituição Internacional de Educação do Brasil (IIEB), busca capacitar e incentivar o conhecimento na área socioambiental promovendo a discussão sobre a conservação, o uso sustentável e a repartição dos benefícios da biodiversidade da Amazônia brasileira.

Para isso, o IEB criou o BECA, programa de Bolsas de Estudo para Conservação da Amazônia, propondo pesquisas na área do uso sustentável da Amazônia brasileira. O diretor acadêmico do IEB e coordenador do BECA, Henyo Barretto ressalta que o objetivo do programa é produzir efeitos significativos na área da conservação da biodiversidade da Amazônia brasileira. 

A interdisciplinaridade faz com que as produções científicas envolvam diversas áreas como ecologia, geografia, biologia que reunidas buscam o desenvolvimento sustentável da Amazônia legal brasileira.

Para obter mais informações sobre o programa de bolsas de estudo para a conservação da Amazônia, tal como o edital completo, consulte o site: www.iieb.org.br (Rafaela Vidigal)



Escrito por Equipe Rádio Ciência às 18h23
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PESQUISA INVESTIGA MERCADO DE TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NO MARANHÃO

A pesquisa "Instituições: Mercado de Trabalho do Assistente Social no Maranhão", de Jodeilce Martins e Adriana Gular, acadêmicas do Curso de serviço Social da UFMA. Procuraram ver como a reforma do Estado provoca impactos para o mercado de trabalho do Assistente Social.

Elas observaram que mesmo tendo área vasta (saúde, área sócio-jurídica, área da educação, etc.) o campo do profissional de Serviço Social ainda é precário, pois necessitam de concursos públicos que têm se mostrado escassos.

As acadêmicas salientam ainda a importância da continuidade das políticas de assistência que vêm sendo interrompidas devido à troca dos profissionais tão logo os prefeitos deixam o cargo, pois são cargos de confiança, com isto quem mais perde é a comunidade. (Emerson Marinho)

 

VOCÊ SABIA que foi criado o movimento pró-xerox?

O movimento pró-xerox foi lançado por estudantes universitários. Ele reivindica o direito do estudante a fazer fotocópias de livros e textos na universidade.

 

O movimento defende que copiar livro é um direito, pois não têm como fazer um curso somente comprando livros e não objetivam lucro ao fazerem as fotocópias.  As xerox foram constestas na justiça pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos.

 

Enquanto os estudantes alegam que só de livros a serem usados no curso se pode gastar quase dois mil reais, as editoras argumentam que o setor perde anualmente com as xerox cerca de R$ 400 milhoes.  Você sabia? Tome ciência!

 

 

ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA O ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA

 

Estão abertas as incrições para o IV-Encontro Nacional da História da Mídia. O Encontro Nacional acontece de 30/05 a 02/06, no Rio Poty Hotel.

As inscrições de trabalhos científicos para o Encontro podem ser feitas até o dia 17/03, pelo email inscricao@redealcar.net.

 

Com o tema "A luta pela Liberdade de Imprensa no Brasil - revisão crítica dos 300 anos de censura, o encontro terá conferências, grupos de discussão, mesas redondas, lançamentos de publicações e atividades culturais.

 

O Encontro Nacional de História da Mídia é promovida pela Rede Alcar e pela Associação Maranhense de Imprensa. Maiores informações sobre o Encontro pelo saite www.ami-ma.com.br

 



Escrito por Equipe Rádio Ciência às 17h17
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